mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu... está tudo assim tão diferente! se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber, que o pra sempre, sempre acaba... mas nada vai conseguir mudar o que ficou (...) mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, nem desistir, nem tentar agora tanto faz...
posted by lucy d. rosewood @ 1:07 AM;
o que eu ganho e o que eu perco, ninguém precisa saber.
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é engraçado. as coisas mudam mais rapidamente em um mês do que em um ano.
eu juro que a minha vida não é nada do que eu esperava no começo do ano, nada. em aspectos bons e ruins, mas como lulu santos disse uma vez, muito sabiamente: "o que eu ganho e o que eu perco, ninguém precisa saber."
que fique bem claro que eu não deleto as coisas, eu não sou um programa. vou fazer de conta que não aconteceu nada, só vou dar um tempo, um intervalo, um pause. talvez depois disso eu me sinta totalmente preparada para o "delete", mas por enquanto não. por enquanto eu prefiro esconder, prefiro não falar em voz alta pra não parecer tão certo. faz de conta que nada aconteceu.
que fique bem claro também que eu caí em todos os clichês que costumava me esquivar. todos. tudo aquilo que sempre escondi, evitei. caí. não vou dizer que mudei completamente, que tudo aquilo que eu dizia é passado, que já era e eu já "mudei". tenho ainda dentro de mim, a certeza que sempre tive, mas é como brincar. você brinca tanto que quando vê, pronto, já está confundindo com realidade. e eu estou quase perdendo a noção de realidade.
a bagunça na cozinha, sentar e ver a novela, ir ao mercado, ir ao shopping, comprar roupas, as conversas noturnas e o eu te amo mal elaborado, misturado com vinho e skol.
de que vale a vida se eu não experimentar todos os sentimentos do mundo? a rejeição, a perda, o amor intenso de adolescência. chegar aos 40, ver que eu não aproveitei nada, porque aos 16 eu já agia como uma velha rancorosa.
sinceramente, eu estou aberta a tudo.
ando com sede de todos os sentimentos, quero sentir tudo a flor da pele. quero sentir cortar e o sangue jorrar, em tudo.
eu vivi cedo demais, sentindo as coisas pela metade, cortando o orgasmo com medo de sentir o final. e pra quê? se os últimos 5 segundos são os melhores.
estou no mar de sentimentos contraditórios, que está prestes a me afogar, no inferno, o ápice da adolescência e eu estou pronta. pronta para sentir qualquer coisa.
estou esperando a bola na minha direção, mas mesmo assim eu me protejo, e sei que dependendo a direção, em um reflexo, eu vou desviar. mesmo querendo uma bolada.
hoje sou pura antítese.
engraçado é que eu não perdi nada. não quero mudar a rota do meu futuro (meu futuro "perfeito", aquele que eu não quero que nada se meta no caminho). é tudo igual. é só essa explosão de sentimentos contraditórios dentro de mim, que nem meu "coração" afetam. só me fazem refletir por horas, e ao mesmo tempo não refletir nada.
deixar a água correr, porque eu não posso parar. então, eu me jogo na correnteza e entrego tudo à uma força maior. deus, destino, mãe natureza, qualquer coisa. e eu estou louca para sentir ela invadir meus pulmões.
quero encarar tudo de frente, como eu disse, ver o sangue jorrar. eu ando tão morta.
nunca me senti tão fraca e tão forte ao mesmo tempo.
posted by lucy d. rosewood @ 8:34 PM;
bright young thing.
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reza a lenda que desde que eu nasci meus pais não são "casados".
quando eu tinha 3 anos meu pai saiu de casa, saiu para voltar uma vez por semana e me dar barbies. depois de um tempo, minha mãe fez quase o mesmo.
a situação piora com os anos, agora que eu sou "grandinha", ninguém vê muita necessidade em voltar ou voltar mais cedo, por fim, tem um tempão que eu levo uma vida de solidão. nada muito extremo, pudera também. é divertido chegar um dia em casa e perceber que você mesmo vai correr atrás do seu almoço, mas quando é todo dia. é legal acordar sozinha em casa e perceber que pode fazer o que quiser, mas quando é todo dia.
o fato é, aos 12 anos, no pior momento da minha vida (porque minha época de gatinha no cio foi horrível), eu acordava sozinha e corria atrás do meu almoço. era legal às vezes, quase como morar sozinha, ir ao supermercado, achar qualquer coisa pronta, voltar, ligar a tv e comer.
só que nem é tudo é "12 anos", eu acabei cansando.
eu cansei.
quando se tem a criação que eu tive, você tem duas saídas; ou você se joga em qualquer tipo relacionamento, louca por amor e carinho. ou você rejeita isso.
eu rejeitei.
quando se leva uma vida semi-solitária as coisas ficam chatas demais.
eu tenho amigos, eu tenho pais. eu me tenho.
ficar trancada um tempo não te mata, não te fortalece, não te faz diferente. aprendi a me conhecer. aprendi a conhecer os outros. aprendi que 10 anos de namoro não faz um bom relacionamento, aprendi que a distância não deixa o amor maior, aprendi que se casar é uma comodidade. aprendi o que é amor. eu não sou uma criaturinha seca e sem sentimentos. eu não me nego e nem me privo de nada. eu sei ser coerente. e sei que amor não acontece de um dia para o outro. eu não sou explícita, eu gosto, mas eu não mostro.
eu amo.
no meu egocentrismo eu fui me fechando (ou seria me achando). a boa parte do tempo sozinha, o relacionamento dos meus pais, me fez enxergar as coisas de outro modo. o modo que ninguém enxerga. o podre.
eu sou podre.
o "ficar sozinha" me deixou egocêntrica. as barbies, mimada. minha rejeição, birrenta e chata. e a solidão, extremamente carente. e por mais estranho que pareça, eu gosto do jeito que vivo. e ao mesmo tempo que eu tenho tudo planejado, eu rezo para alguém brincar com isso.
eu cansei, eu rejeitei, eu amo e eu sou podre.
"eu quero a sina de um artista de cinema, eu quero a cena onde eu possa brilhar. um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo, um beijo imenso, onde eu possa me afogar."
posted by lucy d. rosewood @ 3:35 AM;
I want a boy who is so drunk he doesn't talk.
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diferente de todas as meninas da minha idade, de 90% das mulheres e mais da metade da população mundial, eu não gosto de relacionamentos.
eu não sei o que acontece comigo, não sei se é a idade também, mas eu não gosto de pertencer. ao mesmo tempo, nada me deixa mais radiante do que o "ter". ter tudo, ter o poder. eu gosto do poder, gosto de dominar, gosto da cega confiança e realização de desejos de quem está apaixonado por mim, mas eu não tenho isso.
eu não tenho a babaquice do dia seguinte e a necessidade de amor.
eu não gosto de namorar, não gosto de relacionamentos sérios, não gosto de nada disso. mas eu gosto de calor humano, gosto da one night stand, ou a one night stand fixa.
eu não gosto de pertencer, não gosto de satisfação, de uma pessoa em questão achar que eu devo alguma explicação. não devo explicação à ninguém.
eu realmente não sei o que isso significa e quanto vai durar, mas eu não gosto. não vejo beleza, não tenho vontade, não vejo qualidades.
não fui feita para isso, não fui feita para ser "a namorada dele", ou coisa do tipo.
sou egocêntrica demais, não procuro me dividir. por mais babaca que soa o "free spirit".
minha mãe mandou eu definir o que eu tenho, se eu definir, vai ter explicação e a partir do momento que isso se tornar algo "explicável", não vai ter mais graça.
quanto mais cedo começar, mais cedo vai terminar.
"o que a gente chama de amor é apenas o álibi consolador da união de um perverso com uma puta, é somente o véu rosado que cobre o rosto assustador da Solidão invencível.
vesti uma carapaça de cinismo, meu coração é castrado, sou a Dependência lamentável,a zombaria do Engondo universal; Eros com uma foice enfiada na sua aljava.
amor, isto é tudo que a gente encontrou para alienar a depressão pós-cópula, para justificar a fornicação, para consolidar o orgasmo. ele é a quintessência do Belo, do Bem, do Verdadeiro, que remodela a sua cara escrota, que sublima a sua existência mesquinha.
bom, eu o rejeito.
pratico e louvo o hedonismo mundano, ele me poupa. ele me poupa das euforias grotescas do primeiro beijo, do primeiro telefonema, escutar uma dúzia de vezes o mesmo recado, de tomar um café, uma bebida: as reminiscências da infância, os amigos comuns, as férias Côte d'Azur, seguindas de um jantar: os escritores prediletos, o mal-estar de viver, o porquê sair todas as noites, a primeira noite, seguida de outras mis, não ter mais nada o que dizer, foder para preencher o vazio, perder até a vontade de foder, se afastar, mas ficando mesmo assim junto, brigar, se reconciliar escondendo que no fundo tudo está morto, ir foder com outros, e depois mais nada."
lolita pille.
posted by lucy d. rosewood @ 7:30 PM;
something vague.
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eu sou ridícula.
eu sou ridícula demais.
primeiro porque eu sempre espero das pessoas o dobro. eu tenho um método, eu quero que todo mundo me ame. porque eu acho que depois que acontece afeição, as coisas ruins ficam mais difíceis e eu não sei passar por momentos difíceis. sempre me pouparam dessas coisas e eu espero que seja assim por um bom tempo. eu vivo em fantasia.
a fucking fairytale that I'm the only character.
segundo porque eu não tenho opinião própria. se eu gosto de uma calça e alguém me diz "não ficou legal", eu não compro, e se comprar, não uso. pra sempre vou ter a voz da pessoa dentro da minha cabeça, dizendo: "não ficou legal". eu nunca vi alguém agir como eu, ir tanto pela opinião dos outros e esquecer a própria. por outro lado, se a pessoa x achou ridículo, é porque está, não está? então eu prefiro ficar sem a peça de desejo.
terceiro porque eu não sei lidar com rejeição. eu acho que todo mundo tem uma chance, quantas quiser, para acertar, mas eu tenho que acertar na primeira. eu não aceito errar. eu tive uma chance, e essa é a chance. então a primeira vez que eu mostrar um dos meus textos para alguém, tem que ser além do meu melhor. a primeira vez que alguém ver meus desenhos, eles precisam ser perfeitos. eu acredito que a prática leva a perfeição, mas eu prefiro praticar sozinha.
quarto porque eu não faço nada para mudar a minha vida. nada. eu estou gordinha, cheia de celulites e estrias, cheia de gordura localizada e loser e eu simplesmente não consigo manerar a minha alimentação ou me esforçar na academia. isso é patético. eu tenho noção do que vejo no reflexo.
eu sou extremamente passiva-agressiva.
quinto porque nos últimos meses eu não tenho nem noção do que gosto de comer, nada tem gosto ou me da prazer. eu não fico feliz comendo um pedaço de pão (que eu tanto adoro) e nem chocolate. eu vejo todas as prateleiras do supermercado e nada parece gostoso o bastante. quer dizer, o normal é "eu gosto", "eu não gosto". ultimamente eu não acho nada que eu goste. ou seja, eu tenho fome o tempo inteiro e nada que eu queira comer.
e entre outros motivos por eu ser a criatura mais ridícula do universo. e coisas que a gente não comenta. porque eu não acho que existe "segredos" ou "coisas que ninguém sabe", certas coisas a gente não comenta, porque elas não são para serem comentadas e ponto.
e para piorar eu estou passando pelo momento "não-sei-o-que-quero-da-vida", porque eu sofri uma pseudo-rejeição.
acho que eu quero dormir um tempinho, sem me preocupar em ter hora para acordar, sem me preocupar em arrumar cabelo ou me maquiar.
au revoir, mon cheri.
posted by lucy d. rosewood @ 11:28 PM;
12. Intervalo
O mundo era bastante escroto. Eu não saía mais de casa. Tornara-me um pouco parecido com Michael Jackson.
Continuava ainda mergulhado na revolta, em plena pós-adolescência exaltada. Tornara-me um pouco parecido com Eminem.
Isolava-me lá em cima, na minha torre de marfim. Tornara-me um pouco parecido com um poeta maldito.
Naquele mundo, as novas fontes de beleza foram esgotadas. A gente vivia das sobras. Eu só lia os mortos, só escutava os mortos, ou os moribundos. Alguns dentre eles acreditavam gozar de ótima saúde, ignoravam seu estado agonizante, Visto que, afinal de contas, eles existiam apenas através do olhar dos outros. E estes outros preferiam assistir à televisão. Mas nada de programação de filmes autorais.
Neste mundo de milhões de seres, relativamente normais, de forma que bastante feios e bastante estúpidos, como quer a norma, eles reivindicam seu direito de mostrar sua feiúra e sua estupidez a milhões de outros seres feios e estúpidos, ignorando que a tela é na verdade um espelho. A gente pagaria o espelho em vinte e quatro prestações e, pra evitar ficar muito apertado, a gente levantaria um empréstimo para cobrir o crédito, e outro empréstimo para pagar o primeiro. Depois, quando os oficiais de justiça ficarem no nosso pé, a gente só tem de passar para o outro lado do espelho para dar depoimentos.
Os depoimentos estão entre os males deste século. A gente dá depoimentos contra a sociedade, porque é verdade, afinal de contas, que é inadmissível que esta sociedade, responsável por quase todos os males contemporâneos, venha cobrar aquilo que emprestou. Que ela venha despojar famílias de trabalhadores honestos, tendo de cuidar de não sei quantos joões-ninguém. QUE ELA VENHA ROUBAR O HOME THEATRE DELES! Uuuuhhh para a sociedade!
Parece que alguns escolhem não escovar os dentes mais que uma ou duas vezes por mês. Outros aprendem incríveis verdades metafísicas da própria boca de seus animais de estimação. Os gatos e cachorros deles falam com eles, mas para o senhor, senhor apresentador, eles nada dirão, eles não o conhecem, eles estão intimidados com todo este barulho, os técnicos, o público, há alguns momentos nos camarins, Lulu ficou tão descontraída que contou a uma maquiadora como sofreu naquele dia em que a mãe dela foi morta por um caçador numa verde pradaria normanda. Leia o seu livro, ela o escreveu quando ainda era uma cachorrinha, foi a maneira que encontrou para trabalhar psicanaliticamente este acontecimento tão triste... Não, não foi ela quem escreveu pessoalmente no seu I-Book com tela de treze polegadas, ela ditou para mim, pois a gente se comunica por telepatia...
O apresentador faz suas perguntas com grande seriedade. Por um lado, tem o público dele que importa, por outro, não é a primeira vez que viu este tipo de iluminado. Ele vai guardar suas gargalhadas para a edição. É um sujeito abjeto, mas que está, de certa forma, do lado dos vencedores, a gente não pode gozar com a cara dele. A questão que se impõe é a seguinte. Num mundo em que o olhar cala mais fundo que tudo o mais, por que se suicidar?
Naquele mundo, a gente se suicida todos os dias.
A gente vai lá contar seu estupro, mostrar os seios dilacerados por um cirurgião plástico inescrupuloso, vender um produto. Os rostos vaporosos saíram de moda. A gente decidiu operar os peitos para ficar um pouco mais parecida com uma criaturinha vulgar de videoclipe, a gente é estuprada porque se parece um pouco demais com uma criaturinha vulgar de videoclipe. Era a televisão que fabricava o babaca, ou o babaca que fabricava a televisão? A gente podia testar nosso casamento no almoço, e a nossa incultura no jantar. Gurias de oito anos queriam ser sexy. Outras não encontraram nada mais para chamar a atenção do que ir para o colégio de véu. No final, o véu foi pura e simplesmente proibido no colégio, e o fio-dental também.
Era uma espécie de problema, digamos, de identidade.
Os jovens estavam pirados e tudo era uma babaquice. Trabalhar era uma babaquice. Usar uma calça na cintura era uma babaquice, era preciso arrastar os pés e mostrar a barriga. Era uma babaquice ir ao colégio. E ainda por cima era uma chatice, e os professores eram uns escrotos. Sempre que podiam, os jovens iam se manifestar contra o ensino público, eles não sabiam ao certo por que se manifestavam e quais eram as reivindicações almejadas, mas se manifestavam. A autoridade paterna vivia, é claro, tempos bens difíceis, uma vez que ela era a própria encarnação na babaquice. E quando esses dois pobres coitados ultrapassados pelos acontecimentos que eram os pais tentavam fazer com que sua prole ouvisse a Voz da razão (razão = babaquice), por intermédio de uma admoestação de bom senso cujo tema diz respeito ao futuro e à dificuldade do mercado de trabalho para os jovens sem diploma com as calças arrastando no chão e a mente meio débil devido ao abuso de marijuana, o jovem, com um boné com a figura de Che Guevara (ele ignorava quem foi exatamente o Che Guevara, mas o Che Guevara era cool), o jovem, então latia um: “estou de saco cheio dessa merda toda”, e ia se trancar no seu quarto, uma vez que o Big Brother já estava começando.
O início de século XXI assistiu ao nascimento de uma nova utopia, a utopia do: “Você também pode fazer”, derivado ruim do conceito da meritocracia, a meritocracia que postula que só os méritos de um indivíduo podem determinar suas chances de sucesso num mundo em que todos têm a possibilidade de ir à escola e a obrigação de pagar impostos etc. Disto, a utopia do “Você também pode fazer” conservou a idéia de que todos os indivíduos têm as mesmas chances de vida, mas eliminou a idéia do mérito. Leve esquecimento, o jovem, de qualquer forma, não tinha a menor vontade de ir ao colégio. E também não tinha intenção de pagar seus impostos.
Ele também podia fazer, mas o que é que ele, o jovem, quer fazer?
Ele queria cantar.
Naquela época, uma questão insidiosa torturava já fazia um bom tempo os altos dirigentes da indústria do disco: “Por que nos matarmos para fazer direito, quando a gente pode muito bem fabricar merda?”.
A música era uma arte, uma arte magnífica, a mais imediata, a mais acessível.
A arte era complicada, ela precisava de talento e investimentos. A arte era uma busca perdida. Ela implicava sofrimento, raiva, ódio. Ela implicava artistas, essa raça maldita. No século passado, os artistas quebravam tudo nos quartos de hotel e se suicidavam por razões obscuras. No século anterior, eles se automutilavam. Eles estavam sempre metendo o bedelho no negócio dos outros, a política, por exemplo. Eles tomavam drogas. Os artistas eram uns criadores de caso. A gente não podia fazer nada a respeito: era o que fazia deles artistas que fazia que fossem criadores de caso.
A gente tinha que agüentá-los, tolerá-los, elogiá-los, consolá-los e lidar com eles, eles eram o tempo todo “incertos”, depois de três resultados infelizes, eles não conseguiam fazer mais nada, as mulheres deles se mandavam, a gente tinha de ir atrás delas etc. E, se pelo menos eles mostrassem realmente quanto valem, se uma vez lançados, lançados para sempre, uma vez lucrativos, lucrativos para sempre? Mas os artistas não se satisfazem somente em ser criadores de caso, eles também eram irregulares. O gênio às vezes se esgota, e, uma vez esgotado, o público o renega. O público renega, não entende por que, reclama, manifesta sua decepção boicotando os discos, e acaba indo procurar em outro lugar.
A gente não habitua impunemente o público com qualidade. Quando a qualidade decai: o público se manda. E o gênio incompreendido se vinga no mobiliário da sua suíte, e isto custa caro, e não adianta nada. E ainda é preciso que ele tenha gênio. Eles não andam dando sopa na rua, os gênios, sobretudo ultimamente. E o gênio, ou digamos o talento, nunca teve o mérito de agradar todo mundo. Ele rima com crítica, controvérsia, até rejeição.
A arte é subjetiva, a merda, universal.
Foi então decidido, de comum acordo, generalizar o fabrico da merda. Em primeiro lugar, foi decidido que os autores seriam evitados: os autores enchem o saco, eram obcecados pela idéia de transmitir recados sobre os quais todo mundo cagava e andava a respeito. A produção foi setorizada: você compõe, você, aí, escreve, você canta, você... você vai dançar: e rua para o primeiro que tentar qualquer coisa. Nos escritórios parisienses que se parecem com usinas, os letristas que se parecem com amanuenses escrevem canções que não se parecem com nada.
A palavra de ordem era banalidade. A palavra de ordem era indigência. A palavra de ordem era identificação. Nada podia ousar. Ninguém deveria se distanciar do rebanho. As cantoras deveriam ser sem graça e retardadas, as criaturas dos vídeo-clipes deviam ser vulgares e retardadas. Elas pelo menos mostravam a cara do lado de fora. Os cantores deveriam se parecer com as cantoras e serem retardados. De uma maneira geral, todo mundo deveria ser retardado, isso tornava mais fácil o relacionamento humano.
Conseguiu-se uma merda de uma nulidade alegre. O objetivo foi atingido sem dificuldade, embrutecendo ao mesmo tempo três gerações de consumidores. As garotas entre seis e doze anos foram as mais gravemente prejudicadas, seguindo-se os adolescentes de ambos os sexos, e depois as moças na flor da idade cuja capacidade mental era limitada. Era bom, mas não era o bastante.
A imprensa, a intelligentsia, as pessoas de bom gosto, cuja raça não estava totalmente extinta, bradavam. Eles criavam um rebuliço, mas não compravam discos.
A gente diz que todo julgamento é comparativo. Decidiu-se então por aniquilar a comparação. Fora com qualquer elemento comparativo: mais nenhum julgamento. Fora com qualquer julgamento: a unanimidade.
A música clássica foi retirada do mercado. A música clássica estava fora de moda, hermética, chata. As lojas foram esvaziadas. Os estoques, reciclados. Os conservatórios, incendiados. Os pianistas, assassinados. Os estoques dos particulares foram comprados a preço de ouro, e os particulares se desfizeram dos seus discos. Eles também foram reciclados.
Depois foi a vez do rock, do jazz e das trilhas sonoras originais dos filmes.
Depois, como as trilhas sonoras originais dos filmes foram suprimidas, decidiu-se pela eliminação também dos filmes.
O cinema era uma arte: era uma usina de criadores de caso. Ele atingia o público louco, e certos filmes tinham, às vezes, o dom insuportável de reviver certos conceitos, entre os quais o conceito da beleza, que foi tão difícil de embotar nos espíritos. Felizmente, era a televisão quem pagava por isso, e a televisão estava do nosso lado. A televisão mandou o cinema junto com seu bando de encrenqueiros ao diabo. No lugar dos filmes, os cinemas passaram a projetar videoclipes, publicidades, novelas e transmissões do Big Brother. Os DVDs foram retirados das locadoras. Os estoques, reciclados. Os atores que não quiseram se converter em cantores retardados foram eliminados. Os estoques dos particulares de videocassete e DVD foram comprados a preço de ouro, e os particulares se desfizeram das suas coleções de videocassete e DVD. Eles também foram reciclados.
Os museus foram fechados.
Os livros foram deixados em paz: já fazia um tempão que ninguém lia mais nada.
Ganhou-se muita, muita, muita grana. Fez-se mais que ganhar dinheiro: o mundo foi pacificado. Nada de filmes violentos: nada de violência. Nada de filmes tristes: nada de tristeza. Nada de rock’n roll: nada de drogas. Em vez disso, os jovens queriam cantar: Como isso era bonitinho. A vocação de toda uma geração fora despertada. Éramos quase profetas. O mundo estava feliz, parou até de fumar.
Foi o momento em que os jovens escolheram para desertar das escolas. Eles foram para as ruas. Eles queriam cantar, porra. E se essas cantoras sem graça e retardadas podiam cantar bobagens desse jeito e encherem os bolsos de grana e ainda por cima aparecendo na televisão, por que não eles também? Eles queriam cantar, droga, como todo mundo. Então começaram a cantar. Eles cantavam na rua, o microfone na mão e o amplificador no ombro, eles cantavam o mais alto possível, para silenciar a voz do vizinho. As prostitutas se juntaram a eles, em seguidas as esteticistas, as cabeleireiras, as garçonetes, as balconistas, as secretárias, as vendedoras, as floristas, as jornalistas feministas. Elas também queriam cantar. Depois foi a vez dos garagistas, dos operários, dos quitandeiros, dos advogados, dos taberneiros, dos empresários, dos jogadores de futebol, dos médicos, dos toureiros, dos barmen, dos farmacêuticos, dos carteiros, dos agricultores e, sobretudos, dos mendigos. Eles também queriam cantar, porra. Eles cantavam nas ruas, o microfone na mão, o amplificador no ombro, tentando cantar mais alto que o vizinho. Os microfones eram vendidos em todo lugar. A gente comprava facilmente um. Eles foram proibidos. Mas a população não se deu por vencida. Foi criado um verdadeiro mercado negro de microfone. Começaram as guerras entre as gangues rivais pelo monopólio do tráfico de microfones. Nas ruas, ninguém mais cantava: para fazer com que o cara perto de você se calasse, e vice-versa, os manifestantes foram às vias de fato, mais que às vias de fato: aos amplificadores: os manifestantes derrubavam-se uns aos outros com golpes de amplificador. Houve mortos. O mundo era só violência. Tinham-no imbecilizado demais novelas, videoclipes e variedades de merda. A merda estava resumida a emoções fáceis. “A gente não vai conseguir nada de bom inundando o mundo com emoções fáceis, quando o mundo precisa de emoções fortes”, havia gemido um manifestante antes de morrer apedrejado com golpes de amplificadores. Mais tarde, foi descoberto que este homem era um dos principais líderes de um grupelho obstinado que morava nos esgotos e cuja atividade principal consistia em furtar os armazéns onde foram escondidos os últimos exemplares restantes dos discos e filmes proibidos, para depois escamoteá-los debaixo do casaco e redistribuí-los. Os revolucionários marcharam para a sede social de uma rádio nacional, que tomaram de assalto. Durante alguns minutos, antes de serem controlados pelas forças competentes, e depois exterminados, tiveram tempo de piratear as ondas e fazer uma transmissão integral da Sinfonia nº 6 de Ludwig van Beethoven. Sem realmente entender por que, o mundo inteiro começou a chorar ao lado do seu rádio. Havia razoes de sobra: mais ninguém tinha o que comer, visto que os agricultores cantavam, os transportes não funcionavam mais, visto que os motoristas cantavam, o comércio estava fechado, visto que os comerciantes cantavam. A gripe era mortal, visto que não havia mais ninguém para tratá-la. O dinheiro se desvalorizou. O escambo também perdera o sentido, visto que não havia mais nada para trocar. A violência redobrou: não era mais o problema das canções, era uma questão de sobrevivência. Nas ruas cobertas de fogo e sangue, logo não havia mais ninguém para cantar. Os derradeiros vestígios de civilização, a televisão, o rádio, pararam de transmitir: o mundo acabou num chiado.
bubble gum - lolita pille.
posted by lucy d. rosewood @ 7:26 AM;
let's make some changes!
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é, mudou. mudou de designer para comunicação. por motivos simples que são fáceis, fáceis porque a profissão não mudou.
esse é o meu problema, eu sei o que eu quero, sei exatamente o que eu quero. sei como quero a minha sala, sei o que eu quero fazer, sei até que photoshoots usar, que matérias, o que mudar, as modelos, os "especiais". eu sei o que vou querer almoçar, como vai ser minha vida durante fashion week, sei do gosto que eu vou querer no meu café e as festas, as festas e as pessoas maravilhosas. sei da diversão, do guarda-roupa, do salário, do nervosismo e principalmente da satisfação. satisfação de chegar lá de ter o que eu quero. a única coisa que eu não sei é o que fazer, a única. eu não sei o que fazer para simplesmente chegar aonde eu quero chegar, isso faz algum sentido? quer dizer, é automático, não é?
eu quero ser médico, medicina. eu quero ser biólogo, biologia. eu quero ser fotógrafo, fotografia. eu quero ser editora de uma revista de moda ou editora de moda. o que eu faço? a resposta poderia ser "moda". mas a grade do curso de moda só tem design, quer dizer, o que eu vou fazer com design se eu não quero ser designer? certo, eu desenho, eu tenho 3 peças nesse exato momento no papel, bem do lado do teclado. e daí? parecem desenhos infantis e eu não tenho muita criatividade. não porque eu estou sendo modesta, eu não tenho mesmo. quer dizer, o que eu desenho? skinnys, coletes, vestidos nada que nunca foi visto antes e principalmente nada novo, principalmente pelo fato de eu não misturar muitas cores, estampas e etc. mesmo quando eu pensava em moda, eu pensava em jornalismo em moda. nunca passou pela minha cabeça ser designer. mas o que nunca tinha passado mesmo, em todos esses anos, era jornalismo.
quem faz jornalismo? jornalismo é uma das faculdades mais tediosas existentes. imagina a minha família? "você é formado em que?" - "cinema." - "e você?" - "midialogia." - "e você?" - "jornalismo."
JORNALISMO.
"oi, meu nome é luciana e eu sou jornalista em moda." - "em entretenimento?" - "não, moda."
JORNALISMO.
eu quero falar de moda, quero fazer críticas. e aí? como eu faço? minha idéia até agora é simples, fazer jornalismo e milhares de cursos em moda, então, uma pós em jornalismo em moda.
mas eu não quero fazer jornalismo.
eu nunca pensei em fazer jornalismo, eu pensei em tudo, menos em jornalismo. e agora?
o que eu faço da vida?
posted by lucy d. rosewood @ 12:31 AM;
o gênio às vezes se esgota, e, uma vez esgotado, o público o renega.
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eu venho até aqui, depois de uns meses, com o rabo entre as pernas, pra gritar para todo o mundo que eu não me sinto inspirada há tempos.
nada me parece grande e bom o bastante para ganhar um post. nada me da inspiração para ter um post.
então eu estou aqui, sentada na frente do computador, com o msn aberto, sem música e pensando, pensando se existe alguma maneira de mudar todo esse começo, mudar todo esse começo com alguma idéia interessante.
bem, vamos falar de mim. e eu falo de outra coisa?
eu lembro de um episódio de will and grace em que o will falava para a grace que todo assunto ela fazia girar em torno dela, principalmente quando não era sobre ela.
eu sou grace em todo minuto da minha vida, e é, se você leu isso e ficou pensando "você é exatamente assim!", é, eu sei que sou.
eu sei que eu sou bem chata, não é involuntário. quer dizer, atualmente é bem involuntário, virou a minha personalidade, mas eu tenho consciência disso e não, eu não vou fazer nada pra mudar.
acho que a maioria das pessoas gostariam de ser mais egocentricas.
o wikipedia define como:
egocentrismo é a característica que define as personalidades que consideram que todo o mundo e todas as pessoas giram ao redor de si próprio.
a criança com cerca de 3 anos passa pelo período chamado teimoso, pois ainda não compreende que faz parte de uma sociedade, imaginando que todo o mundo gira em torno de si mesmo. bem, eu diria que eu ainda tenho 3 anos.
minha mãe é uma dessas pessoas, ela faz tanto pelos outros e nada pra si. acho que isso é uma característica de mãe também.
às vezes eu penso que eu preciso de uma pancada na cabeça e um belo toque de realidade, alguém que me olhe nos olhos e diga na minha cara que o mundo não é meu. e eu diria mais, diria que isso já aconteceu e eu continuo com os-três-anos.
por deus, o que me deixou assim? não pode ser meus pais, eles tiveram outros dois filhos que não são assim.
mas é como a minha mãe diz: você não se parece comigo, nem com o seu pai. você não se parece com ninguém. inclusive fisicamente.
se eu ainda tivesse os-três-anos, já teria fugido de casa há tempos. o que de fato eu fiz uma vez (com três anos), com alguma idéia de que eu era realmente adotada, eu cheguei até a casa do vizinho e voltei chorando, só me acalmei quando a minha mãe mostrou o ultrassom. quer dizer, ela pode ter perdido e eu fui adotada, certo? algo como a profecia. bem, não se pode descartar essa hipótese.
e eu diria que estou aterrorizada com a idéia de que as minhas idéias estão se esgotando, quer dizer, desde quando eu sou assim? a primeira vez que eu recebi um papel e uma caneta para expor minhas idéias eu estava na terceira série, eu tinha umas 10 linhas para escrever algo sobre a figura que era um garoto com um cachorro, no final das contas eu escrevi duas páginas. criei algo bem interessante, três mundos, um cachorro em perigo, um dono com saudades, magia, livros, palavras mágicas, qual é? eu era uma mente promissora aos nove!
meu assunto não acaba assim. eu sempre tenho assunto.
bem, amanhã vou procurar, procurar em cada figura, em cada pessoa. e eu juro que eu volto com um post extremamente bem feito e quem sabe com uma injeção de realidade.
até lá.
posted by lucy d. rosewood @ 3:38 AM;
a parada é a seguinte: ficar 13 horas em pé, gastar 55 reais com água e ainda assim ter um lugar bom, não é pra qualquer um.
ficar se alongando durante os intervalos, berrar que nem uma louca, perder o make, perder o cabelo bonito e o rosto apresentável.
ser tirada por um bombeiro do seu lugar porque está prestes a fazer xixi nas calças e conseguir voltar pra grade não é pra qualquer um.
aguentar 13 horas em pé, sendo que seu único alimento foram dois copos de refrigerante, 3 bisnaguinhas, 3 bolachinhas e um pedaço de bolo (a fome era o de menos). sem passar mal, sem desmaiar, sem morrer. não é pra qualquer um.
mas no fundo, eu faria de novo. e de novo e de novo.
querendo ou não, eu tive a noite mais divertida do ano. o show da björk foi a coisa mais maravilhosa do século, eu me perdi naquele show. saí do meu corpo.
o show do arctic me tirou do sério, me fez berrar tudo e transpirar mais que um porco. e por fim, the killers tirou minha voz, dando no lugar essa coisa escrota e rouca.
meu corpo tá todo doloriiido, minha batata da perna tá melhor do que se eu tivesse feito anos de academia, meus dois braços roxos, eu tô rouca e eu tô feliz!
eu não-sei-como, mas acho que não tem nada que tenha uma emoção tão única como de um show.
foi lindo, lindo.
no final das contas, não se fala de outra coisa!
posted by lucy d. rosewood @ 5:08 PM;
eu não gosto de todo mundo.
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eu não gosto das pessoas. não gosto de 85% das pessoas com que eu me relaciono. não gosto de algum professor, da metade da minha sala, outra metade sa escola, uma metade que não estuda mais comigo, outra metade que faz séculos que eu não vejo. eu não gosto.
eu tenho curiosidade nas pessoas, não necessidade de convivência. e depois de quase um ano, esse sentimento fica latente. eu sou super simpática, divertida, se eu fosse outra pessoa, eu seria minha amiga pelo resto da vida. mas eu te digo, caro leitor, é tudo falso. é tudo mentira.
meus amigos são poucos, são poucos e queridos, meus colegas também. e o resto eu quero que se exploda.
minha mãe diz que o problema sou eu, eu prefiro pensar que é o lugar.
porque eu não vejo diversão em sair no final de semana pra uma-merda-de-lugar porque não-tem-outro, eu não vejo diversão em ir ao um posto de gasolina, entrar na loja de conveniência e ficar lá com os meus amigos. não vejo diversão em tatuar todo meu corpo e colocar piercing em todos os lugares, não vejo diversão em ir mal na prova e culpar o professor, em não ir bem numa escola particular e culpar o sistema. eu não entendo como alguém pode não conhecer nietzsche, freud, bossa nova, achar teatro uma chatice, cinema desinteressante e amar sean kingston! ao mesmo tempo não entender de exatas e muito menos de humanas. eu juro por tudo que não entendo isso. não enxergo até onde chega a burrice das pessoas, ou até enxergo.
eu sei que eu detesto essas pessoas. detesto todos. por tanto, não me relaciono.
aí eu passo pra nerd anti-social, o que é besteira, porque de fato eu sou péssima em exatas. em todo caso, eu analiso minha sala diariamente, cada pessoa (e por deus! eu tenho essa habilidade incrível de reconhecer o tipo da pessoa rapidamente) e eu fico bege! e no final do dia, a única coisa que vem à minha cabeça é a boa e velha frase do marvin: "eu fico com dor de cabeça só de tentar rebaixar meu intelecto ao seu nível."
muitas, muitas, muitas pessoas são mais inteligentes do que eu, mas eu juro que esse ano ajudou muito minha auto-estima! não exatamente pela inteligência, mas para eu provar, ver, sentir o quão pequena é a cabeça das pessoas daqui, o quão inútil elas conseguem ser.
isso não quer dizer que eu odeio toda a minha sala. com certeza, me divirto com várias pessoas, mas, nem todas.
minhas teorias sobre araras prosseguem, prosseguem igual de três ou quatro anos atrás. e ela fica latente a cada dia. é um lugar pequeno, com pessoas pequenas que conseguem sim ser de horrível convivência.
como eu disse ali em cima, nem todas. existe exceções, poucas pessoas, mas existe.
bem, eu continuo como sempre fui, odeio esse lugar e não vejo a hora de sair e provar o mundo maravilhoso que tem lá fora. e continuo com medo de cair de cara e ver que o mundo é simplesmente uma araras gigante.
quanto ao outro post, as coisas mudaram (sabia!), bem, teve semana de prova, né? nada mais conturbado e estressante. aliás, tirei oito em física!
bem, eu vou estudar matemática porque eu fiquei de recuperação (por meio ponto.), e porque eu também ganho mais do que ficar perdendo meu tempo pensando nesse povinho uó.
ah, e por fim, eu tenho o meu ingresso pro arctic monkeys *_*
lógico, não só. meu ingresso também vale para um ótimo (sim, um maravilhoso) show de björk e the killers. com direito a ficar tomando cafézinho, cházinho e coca-cola na rodoviária esperando o primeiro ônibus pra araras.
e como é de se esperar, já tô me preparando pro the used em dezembro. e foda-se se é ABC pro HC, the used vale o esforço!
agora, a única incerteza que resta é a minha festa de aniversário. já é ou já era?
posted by lucy d. rosewood @ 8:11 PM;
you don't look different, but you have changed.
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nada parece diferente na minha vida, e eu gosto disso. nada melhor, pior, nada. meus irmãos ainda moram longe, meu pai continua ausente, minha mãe continua amorosa, minhas amigas continuam presente, minha escola continua igual, meu inglês também. as aulas de tarde, o horário do house e do saturday night live. o gosto da coca-cola, do mc duplo e do doritos. eu continuo loira oxigenada, narcissista, chatinha e com medo de altura. o que é bom, porque eu não sou exatamente fã de mudanças.
mas no fundo, no fundo algo mudou, e mudou feio! porque, por deus, tudo parece tão diferente agora, tão mais claro e tão estranho. eu ando tão nostálgica e parece que a qualquer momento eu vou perder o chão, parece que tudo vai sumir - e que não vai demorar muito -, parece que tudo vai se realizar e que ao mesmo tempo eu não vou gostar. e eu estou me agarrando em tudo, em todos.
estou começando a apreciar os domingos em família, as minhas amizades, como se eu fosse perder tudo logo. ao mesmo tempo, tudo parece melhor do que estava; finalmente meus pais me escutam, minha mãe não para de me agarrar, meus irmãos pararam de pegar no meu pé.
talvez este seja o problema, as coisas nunca ficam do jeito que eu quero que fiquem, então quando elas estão, é quase assustador.
não vou dizer que está tudo perfeito, eu continuo gorda, não entendendo física, odiando araras e feia. mas está tudo... ok. e está diferente! meu deus como eu odeio isso, como eu odeio essa "mudança"! bem, pelo menos tem que mudar pra "melhor". mas essa sensação de perder o chão tá acabando comigo. é culpa dessa merda de adolescência! foda-se, não quero que mude pra nenhum jeito, simples, não quero que mude.
aliás, acho que achei grana para o show do arctic monkeys!
byebye
posted by lucy d. rosewood @ 1:39 AM;
lu diz:
você ainda é 16 anos mais velha que ele!
la diz:
PARA DE ME FAZER SENTIR VELHA
la diz:
quando ele tiver minha idade
la diz:
eu vou estar com 32
lu diz:
=O
lu diz:
é verdade!
la diz:
é
la diz:
e vc 31
lu diz:
eu vou tá mó gorda
lu diz:
e velha :~
la diz:
eu tbm :~ - e o eterno medo de envelhecer.
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eu tenho 15 anos e o meu medo maior agora deveria ser não passar de ano (ou de perder o próximo episódio de desperate housewives), mas de fato, meu maior medo é perder a vida em araras e acima de tudo, envelhecer.
nada muito grande, só não acho que exista vida após os 30. principalmente se você não pensa em casar, ter filhos e seu plano mais próximo é morar com a sua melhor amiga até ter dinheiro pra pagar um apartamento sozinha.
sabe, eu já pensei em ter um filho. vai chegar um dia na minha vida (talvez perto dos 50) em que eu vou pensar que deveria ter experimentado a maravilhosa experiência de engravidar e ter um bebê, ter criado um cúmplice. um mini-lu (porque meninas não me interessam), um parceiro no crime. um dia que eu vou me sentir sozinha e passar o resto do dia achando que eu deveria ter me casado e ter enchido a casa de filhos, para que naquele instante eu fosse estar cheia de netos e não sozinha assistindo o filme novo do josh hartnett (que naquela altura vai estar bem velho e com a voz muito rouca devido aos cigarros consumidos diariamente, e ainda achando que faz sucesso).
eu gosto de ter minha vida planejada, sabendo o que eu vou fazer amanhã e daqui 10 anos, o pior de tudo é que eu não consigo me imaginar casada, com filhos. é simplesmente uma realidade distante demais. como eu estava conversando com a minha tia esses dias (aliás, minha tia tem a vida que eu sempre quis, tem dinheiro, viajou pra vários lugares do mundo, sem filhos, sem marido, tem duas casas, um apartamento na praia e vive sem preocupações e sempre me diz "você não sabe a sensação de pegar um avião sem dar satisfação pra ninguém e visitar os lugares mais perfeitos do mundo", me matando de inveja), eu não tenho necessidade de pertencer à alguém, de namorar, de namorar por um bom tempo. meu relacionamento mais duradouro durou 3 meses e eu terminei porque eu não aguentava mais a cara dele e todos dizem "ah, você é nova. com o tempo você muda de idéia", mas eu não sei se isso é muito certo. eu enjoo facilmente das coisas e das pessoas e isso é desde sempre.
eu acho que no fundo eu me sinto muito autosuficiente.
eu me apaixonaria fácil, eu me apaixono fácil; mas com a mesma rapidez que começa, acaba. depois que eu consigo é entediante e enjoativo.
bem, tudo se define em, terminar o ensino médio, entrar numa faculdade boa ou ter dinheiro pra pagar a que eu quero (IED - instituto europeo di design), fazer de tudo pra pegar o estágio e ir direto pra milão e não voltar mais. até lá eu tenho 25 anos, se eu não perder nenhum ano.
eu tenho medo de envelhecer porque eu não consigo planejar minha vida depois dos 30, eu tenho 15 anos pra dar o final feliz da minha vida.
mas eu não posso fazer nada agora; enquanto isso eu penso da onde eu vou tirar dinheiro pro ingresso do arctic monkeys.
au revoir o/
posted by lucy d. rosewood @ 7:38 PM;
sabe, eu tenho um problema. (um? ah vá!)
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é bem simples; eu conheço alguém e se eu não gosto dela agora, eu nunca vou gostar. eu tiro conclusões precipitadas, reparo muito na personalidade e não gosto. e sempre existe o tipo de detestar, no meu caso, vários.
entre eles eu tenho o mais odiado, o de fã fanática.
eu não suporto esse tipinho que defende o ídolo acima de tudo, que respira em função de deles. acho escroto, podre, uó total.
obviamente eu tenho meus ídolos, tenho até os mais fortes que entram na "sessão" platônico, mas eu não vivo em função deles. por exemplo o josh hartnett, além de eu achar um ótimo ator ele é extremamente atraente, mas ele nem sempre foi tão bom assim. admito que nos primeiros filmes eu o achava uma merda de ator.
eu acho que um ator só é um bom ator quando ele não deixa características pessoais e o josh demorou pra fazer isso. sempre a risadinha, o olhar que tinha em todo filme.
o gale harold, um ator maravilhoso, mesmo ele não sendo tão popular assim. ele se camufla. e foi por um personagem dele que eu achei meu ego, meu sonho de consumo master, meu desejo (mais informações no post de 25 de março).
brian molko despensa comentários, certo?
esse é o meu top 3 de amores platônicos, e eu juro que eu não sei nem o dia do aniversário deles. não faço a mínima idéia da comida favorita e o signo. não vou mentir falando que não sei nada da vida pessoal - porque eu sei - mas isso não é importante.
o fato é, eles estão lá, eu aqui, eu admiro extremamente, mas eu não preciso deles pra respirar. eu não falo mal das namoradas do josh e nem critico quem fale mal do brian. mas é obvio, se eu acho que a scarlett é uma péssima atriz, isso não tem nada com o fato dela ter namorado o josh (exemplo vivo é que recentemente o josh ficou com a sienna miller e eu acho a sienna linda! além de se vestir perfeitamente bem.); se um amante de é o tchan falar que placebo é uma merda, eu logo vou mandar o cara se foder porque ele não tem a mínima noção musical.
eu não defenderia ninguém, porque isso é ridículo.
eu destesto tanto as que perguntam "qual é a cor favorita dele?" quanto as fãzinhas que respondem "o que isso muda na sua vida?". todas são as viciadinhas que vivem em função do cara/banda. porque eu garanto que essas do "o que isso muda na sua vida?" sabe a cor favorita e muita mais.
eu admito que quando eu era mais nova, meu mundo era backstreet boys, eu sabia tudo, mas temos que lembrar também que eu tinha 7 anos, uma idade favorável.
detesto também quem passa dos 16 e continua fanática. tipo quem tem 16 anos ou mais e respira strokes. eu juro, eu adoro strokes, é demais! mas gente, com 16 a pessoa tem idade pra pelo menos expandir seus gostos, por favor, né?
no final das contas eu falei, falei e não dei uma conclusão, mas na verdade não era pra ter conclusão.
eu odeio fãzete que defende e ama o ídolo acima de tudo. odeio aquele chavão "mexeu com tal banda, mexeu comigo", de fato, cresça e proteja seu irmãozinho que você ganha mais.
ps¹:placebo não é minha banda favorita, eu não tenho banda favorita. e nem um filme do josh é meu filme favorito; e não é muito complicado ficar longe da vida pessoal do josh, porque ele da um passo e tem 20 paparazzis perto. qualquer lugar há informação.
ps²:spice girls vão voltar. @____________@
girl power since 96 x3
ps³:má, pensar grande não precisa ser pra mudar o mundo.
posted by lucy d. rosewood @ 12:48 AM;
versão princess. que gay
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U-FA! depois de dois incansáveis dias, eu terminei meu lay! \o/
eu que fiz *-*
-por isso que tá podre.
eu sei que no explorer ele tá com umas putices no final, em todo caso eu uso mozilla (e se quiser ver meu blog bonitinho também vai ter que usar), ou nem tanto, porque no explorer as minhas barras são coloridas, o efeitinho de quando é link e aparece frases quando você passa o mouse pelas fotos ali ->.
eu espero ficar satisfeita com esse lay por um bom tempo, porque eu não sei se tenho saco pra outro.
tudo começou ontem às 9:30 da manhã, como eu só tive a primeira aula, cheguei em casa umas 8, tomei meu café da manhã e resolvi ficar no pc, já que tinha 3 dias que eu nem olhava pra isso. abri meu blog e tudo e tal e resolvi fazer um lay novo. fiquei fazendo até umas 3:30 da manhã e prometi a mim mesma que hoje eu só iria parar quando tivesse pronto. minha nuca dói, eu tô com sono e ainda nem tomei banho (lê-se: estou podre). mas até que tá bonitinho né? pelo menos as fotos aqui em cima.
então, tô de férias! não é uma maravilha? não, porque eu ainda tenho inglês. eu vou perder duas semanas das minhas férias aqui, no inglês! isso é horrível.
bem, é isso.
vou tomar um banho e dormir.isso mostra como eu aproveito as minhas férias.
posted by lucy d. rosewood @ 5:18 AM;
ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação
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hoje eu resolvi assistir tv, não tinha nada, eu juro, nada de interessante. sabe o que é ter 100 canais e nenhum prestar?
bem, daí eu comecei a assistir o programa do datena (meu deus, ainda bem que ninguém entra aqui), em todo caso, eu vi três notícias iguais, basicamente crimes cometidos por jovens de classe média/alta. tipo, o do garçom no jardins essa semana; do frânces, também no jardins e da empregada doméstica na barra da tijuca.
o datena classificou os dois de são paulo como crimes nazistas, eu não entendi.
não faz sentindo eu matar um turista, se o brasil vive de turismo o.õ
eu detesto brasileiro que pensa que o brasil presta, brasileiro que pensa que o brasil é o centro do mundo. ok, a gente pode ser rico nisso, naquilo, mas no fundo, não vale nada.
e qual é o ponto de "matar a mão-de-obra barata" se é isso que rende?
as pessoas acabam pensando que o brasil é cotê d'azur. de fato é a mão-de-obra barata (sim, os garçons, as recepcionista de hotéis e as queridas vendedoras de acarajé) que constroem o país.
sabe, eu nunca destruo o que eu uso. por exemplo, pixar alguma coisa ou quebrar porque é divertido. chame de civilizada ou coerente, mas eu não faço isso. e por mais que eu não goste do lugar aonde eu vivo, eu não o destruo.
daí ele chegou em outro ponto, o de que por ter dinheiro, aqueles jovens achavam que podiam fazer qualquer merda na vida. e eu concordo. eu acho que se a sociedade da essa liberdade pra gente (a gente = classe média), essa liberdade de "não-importa-o-que-eu-faça-eu-saio-ileso", a gente vai fazer. eu o faria, sairia ilesa de qualquer jeito.
e o que eu acho? eu acho que eles deveriam morrer. na verdade, se metade dos presos fossem condenados à morte, meus impostos baixariam e eu teria mais dinheiro para gastar com roupas.
"não se resolve violência com violência", bela bosta. pelo menos, como diria renato russo em o senhor da guerra:"não teremos mais problema com a superpopulação"
não sei realmente o que deu em mim em falar sobre isso.
e no fundo eu tô pouco me fodendo, porque isso não afeta a minha realidade. não porque eu não vivo nisso e muito menos pelo fato de eu não ir ao jardins (pelo contrário, eu tô sempre no jardins) e sim porque eu desconfio de qualquer tipo de pessoa que use só uma cor e quer mudar o mundo. e também porque eu sou legal demais, ninguém me machucaria.
de fato, 70% da população me broxa.
ps¹:fiquei de recuperação de física de novo, irônico não?
ps²:eu estou muito fria ultimamente.
posted by lucy d. rosewood @ 7:41 PM;